domingo, 17 de abril de 2011

Dirty Little Secret

Cassidy olhava para mim com seus olhos azuis penetrantes como se eu tivesse cometido um crime. E eu tinha, só que ela ainda não sabia disso. Por enquanto o interrogatório se restringia aos dois vestidos que ela segurava e qual ficava melhor nela.

- Amber, se você não se decidir eu não posso me decidir.

Parei de digitar em meu blackberry e olhei confusa para ela. Eu tinha escolhido o meu vestido há duas horas. Um lindo vestido preto básico com um decote nas costas.

Cassidy revirou os olhos para mim.

- Não estou falando sobre você se decidir pelo seu vestido. Estou falando sobre você se decidir sobre o meu. Qual dos dois você prefere?

Um dos vestidos era verde musgo com um decote em ‘V’ que ia até o umbigo e o outro era um tomara-que-caia rosa minúsculo que, caso ela se abaixasse daria para ver até seu útero. Os dois faziam o estilo “Sou puta, mas sou rica então vocês vão ter que me engolir.”

-Já disse que os dois ficam bem em você. Agora escolha logo isso para podermos dar o fora daqui.


- Acho que vou experimentar de novo – E sem falar mais nada ela entrou no provador outra vez.

Não acredito. Ela vai experimentar de novo
. – Digitei para Tyler.

Afinal, quantos vestidos ela experimentou hoje? – Perguntou

Vários – Respondi com um suspiro.

Larga ela aí e vem me ver – Propôs ele.

Tentador, mas você sabe que eu não posso.

Ok, 20h na minha casa então?

Perfeito

Mal posso esperar.

- Amber, vem aqui, preciso de você.

Desliguei o blackberry fui até o provador. Quando entrei encontrei uma Cassidy estupefata por não ter conseguido entrar no vestido.

- Me ajuda! Eu tenho que fechar esse zíper.

Ajudei.

- Pronto! Finalmente entrou, e então, o que acha?

- Não está muito pequeno? Talvez você devesse pegar um tamanho maior.

- Nada disso, um tamanho maior ficaria grande demais, e eu preciso realçar minhas curvas.

- Mas você está respirando aí dentro?

- Eu não preciso respirar, preciso estar divina.

- Se você diz...

- Sabe, A, eu estive pensando. Quem você vai levar ao baile mesmo?


- Craig Housts – Respondi automaticamente.

- Hmmm, gostoso. – Ela deu seu veredicto

– Que tal um encontro duplo?

- Não, obrigada, o Craig é só o par para o baile.

- Ah, é mesmo, o namorado misterioso, algum dia vou saber quem é esse cara?

- Quem sabe...

- Sem essa, não vai me deixar morrendo de curiosidade, vai?

- Você sabe que eu amo fazer isso.


Cassidy voltou a se olhar no espelho e soltou um beijinho para mim.


- Te odeio, vaca.

- Também te odeio, vadia.

Cassidy falou aquilo brincando, mas da já eu. Bom, tinha uma pontinha de verdade no que eu disse.


A maior parte de mim ama a C. Afinal, crescemos juntas, somos melhores amigas desde o jardim de infância, nós somos um legado, nossas mães são melhores amigas, e, provavelmente, nossas filhas também serão.

Mas a outra parte de mim, a menor, grita, faz escândalo mandando eu fazer a pequena C provar de seu veneno de cobra e mostrar a ela que não pode pisar em todos, principalmente em mim.

- Acho que já decidi – A voz estridente de Cassidy ecoou dentro de minha mente, me fazendo acordar de meus ensamentos.

- Ótimo, agora pague essa droga e vamos embora.Eu poderia acaba com a popularidade dela se eu contasse o meu segredo, mas então acabaria com a minha reputação também.

Alguém entrou na loja, alguém cuja voz eu reconheceria mesmo a mil milhas de distancia, alguém cujo os olhos me hipnotizam. Foi Tyler Brown que entrou na loja.

- Tudo bem, meu amor? – Ele puxou Cassidy pela cintura levando-lhe para mais perto, depositando um selinho em seus lábios.

- Como você soube que eu estava aqui?

- A pequena A me avisou.


Cassidy olhou para mim e eu dei de ombros.


- É claro que eu avisei, eu não ia deixar você fazer a gente andar de metrô de novo. Já deu a experiência.


- Own, você é um anjo, sweetheart.

– Ela se aproximou para me dar um abraço. – Eu te amo Little A.


- Eu também. – Sussurrou Tyler.


Ri silenciosamente da situação.

De dia ele estava aqui, com ela. Mas ela não podia imaginar quem estaria com ele de noite, no seu quarto...eu.

- Estão prontos para ir?

Afirmamos com a cabeça, Tyler não tirava os olhos de mim transmitindo o nosso pequeno segredo sujo.

A verdade é que melhores amigas podem dividir tudo. Desde roupas, sapatos, jóias. Até mesmo o namorado.


I'll keep you my dirty little secret

Don't tell anyone or you'll be just another regret

(Dirty Little Secret - The All American Rejects)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Anjos.

Beleza inumana,

Foi aquela que em meus sonhos vi,

Seu corpo era de um deus,

E em seus olhos frios

Um brilho conseguiu reluzir.


Confuso entre dois pólos,

Não sabe qual escolher

Se o bem lhe ajuda a respirar,

O mal o faz viver.


Se pudera te chamar de algo

De anjo te chamarei,

Anjo de um Pesadelo bom

Que sem querer acordei.

A folha de papel escrita na minha frente parecia miragem. A letra que ali estava era minha, mas eu não me lembrava de escrevê-las. Eu não sei sequer fazer poesia, muito menos algo tão belo e tão perturbador como aquela a minha frente.

Olhei para os lados, procurando por alguma pista do que estava acontecendo ali. Nada. A sala estava completamente absorta na aula de história. O Sr McGarden, meu genial professor de história explicava o porquê bíblico do Grande Dilúvio. Algo haver com anjos e com seus filhos, eu não conseguia me concentrar direito graças àquele poema em meu caderno.

Atordoada com o surgimento daquela poesia, fechei o caderno e no mesmo momento o sinal da aula tocou.

- O McGarden como sempre arrebentando nas aulas, não acha, Carrie? – Perguntou Darren, meu melhor amigo.

- Para falar a verdade, eu não sei, não prestei muita atenção. Acho que viajei.

- Que estranho, Carrie Nerd viajando na aula? Nunca pensei que fosse presenciar isso.

- Olha só isso. – Peguei o caderno e abri na pagina do poema. – Aparentemente, foi nisso que eu trabalhei durante a aula de história.

Ele leu rapidamente o poema depois me devolveu o caderno o caderno.

- Wow, Carrie, eu não sabia que você sabe fazer poesia.

- Essa é a questão, Darren, eu não sei, sempre fui uma negação quando se trata de escrever. Eu simplesmente apaguei e quando voltei a mim isso estava escrito no meu caderno.

- Nossa, isso sim é estranho. – Ele balançou a cabeça não acreditando na minha história. Mas logo mudou de assunto: - Feliz aniversario! – Ele puxou uma caixinha vermelha de sua mochila e logo após me passou a mesma. - E não adianta dizer “não precisava” não é todo dia que a gente faz 18 anos.

- Obrigada. – Sussurrei timidamente.

Abri a pequena caixa, um colar com um pingente de um par de asas prateadas me esperava. p

- Que lindo, D. É exatamente a minha cara!

Virei de costas para ele poder colocar o colar em mim. Assim que o delicado ar de asas tocou a minha pele eu lembrei o que vinha me incomodando o dia todo.

O homem que vem aparecendo em meus sonhos ultimamente. Um homem incrivelmente lindo, devia ter por volta de seus 20 anos.

No sonho eu sempre estava me afogando e ele observava enquanto isso acontecia. Seu rosto estava dividido entre a frieza e a compaixão. Parecia que ele queria me salvar, mas não sabia se fazer isso seria certo.

Eu me lamentava sempre quando acordava do pesadelo, porque mesmo que àquele sonho me roubasse o ar, eu podia vê-lo e a realidade o tirava de mim.

Como pude esquecer de algo tão perfeito como seu rosto? Como pude esquecer da frieza do seu olhar? Da imobilidade do seu corpo? E, mais importante, como pude esquecer da grandiosidade das suas asas?

Uma lufada de ar escapou pelos meus lábios, trazendo um preocupado Darren para mais perto de mim.

- Carrie, você está bem?

- Estou sim. Só preciso ir pra casa.

- Mas...

- Tchau.

Saí do colégio e fui em direção ao meu carro. Dirigi pelo caminho tão conhecido até chegar na enorme casa branca onde morávamos minha tia e eu.

Fui para o meu quarto, sentei na cadeira perto da escrivaninha e já não lembro de mais nada.

Uma garota perdida pelo mundo.

Humana ou anjo,

Eu me pergunto.


Por ela estou apaixonado,

Uma situação errada

Que se estende por um longo passado.

Acordei e lá estava outro poema estranho. A única explicação era que eu escrevia enquanto dormia, mas como?

Minha cabeça não parava de latejar, desorientada pelo cansaço desci as escadas e logo pude ver um homem de pé olhando os retratos de família, meu primeiro impulso foi correr, mas parecia que um imã invisível me levava para mais perto dele.

Abri a boca pronta para começar um interrogatório, mas ele foi mais rápido.

- Finalmente te achei. – Disse ele me fazendo lembrar onde eu o tinha visto antes. Ele é o anjo do meu pesadelo.

- Você... – Comecei a falar, mas ele me interrompeu.

- Temos que sair já daqui, eles estão vindo.

- Quem? – Indaguei.

- Anjos, demônios. O céu e o inferno, todos estão atrás de você.

- Porque?

- Porque, há muito tempo atrás, um anjo se apaixonou por uma nephlim, isso é inaceitável, todos caçam os dois desde então.

- E o que eu tenho haver com isso?

- O anjo sou eu, a nephlim é você.

Sentei no sofá, desnorteada pelo excesso de informação. Um estrondo ecoou pelo cômodo seguido de um imenso clarão.

- Eles já estão aqui.

Então a ultima coisa que eu vi foras as gigantescas asas do anjo a minha frente.

______________

Oi meus amores!

Me desculpem pelo meu sumiço, é que o meu computador quebrou e não teve como eu postar. Enfim, esse conto foi baseado na poesia do inicio. Eu a fiz na aula de literatura. Viajei legal não acham? Ok, todas as poesias aqui foram feitas por mim. Gostaram?

Saudades de vocês, besos,

Ray.

domingo, 30 de janeiro de 2011

What is it good for?

Acreditar no amor? Eu sinceramente não acredito. Viver eternamente apaixonado, viver só para o outro, para uma pessoa que você possivelmente nunca conhecerá de verdade? Não, isso não é pra mim.

Não que eu não ache bonito. É obvio que eu acho, afinal eu surgi de um grande amor entre dois adolescentes inconsequentes e despreparados, cresci em um ambiente cercada de todas as coisas boas que rodeiam o mundo.

Para falar a verdade eu acredito no amor, só não acredito que ele foi feito para mim. Prático.

- Mas você não tem curiosidade? Não quer saber como é? – Perguntou Lana, minha adorável amiga que se apaixona em média 5 vezes por semana. – Sabe como é... – ela mordeu o lábio inferior mostrando o quanto estava desconfortável com o rumo que a conversa tinha tomado.

Sorri para a adorável criatura sentada na minha cama.

- Pode falar a palavra, Lana, não é nada demais dizê-la. – Ela sorriu de volta para mim adorando a minha aprovação.

- Você nunca quis saber como é... amar, Brianna?

Sentei-me na cama ao lado dela pensando na resposta para aquela pergunta, eu realmente não tinha esperado algo desse aspecto vindo da boca dela.

Lana mexeu-se desconfortavelmente ao meu lado.

- Tudo bem se não quiser responder, Bri. Sei que você não gosta que falemos disso. – Ela colocou uma mecha de seu cabelo loiro claro atrás da orelha, uma das coisas que ela costuma a fazer quando está nervosa ou envergonhada.

- Não, por mim tudo bem, deixe-me só pensar numa resposta boa o suficiente. – Passaram-se alguns segundos sem que nenhuma de nós dissesse nada. Com um suspiro, eu comecei: - Sabe, Lana, eu já passei muito tempo querendo saber como é, acho que posso até ter me apaixonado algumas poucas vezes, mas acabei com o coração meio machucado. Então hoje eu prefiro não sentir isso de novo, acho que ninguém será bondoso comigo. Não me interprete mal, não estou dizendo que não estou dizendo que sou assexuada ou algo do tipo, eu adoro de ter uma boca junto a minha, gosto de ficar com garotos. Mas isso para mim não passa de diversão, não mais que isso.

- Mas, Bri, é tão mágico quando você ama alguém, e é mais mágico ainda quando esse sentimento é recíproco. Eu só não entendo como alguém pode renegar a isso.

Pensei um pouco em que falar, eu não gostava dessas conversas, sempre me deixavam um pouco mal, nunca sabia direito no que falar. Pode até ser que ela estivesse certa.

Eu acho lindo quando vejo dois velhinhos apaixonados, andando de mãos dadas como se fossem ainda jovens e tivessem toda a vida pela frente. Às vezes penso que gostaria de sentir isso novamente.

Mas então lembro da dor. Já tive um coração partido, conheço a dor, tive que catar os pedaços e agir como se nada tivesse acontecido. Eu só não quero sentir outra vez. Será que é um pecado tão grande assim?

- Amor, - Pensei em voz alta. – amor, amor, amor, amor. Todos só falam nisso. Para que isso é bom afinal? Absolutamente nada!

Lana olhou para mim boquiaberta.

- Para que é bom? Você ainda pergunta. – Sua voz era dura, mas seus olhos transmitiam a ternura e a preocupação que tinha para comigo. – Sem o amor para começar nós não seriamos nada. Você nunca viveu em um mundo sem amor, Bri, não sabe como é. Pra falar a verdade eu também não, mas acho que seria horrível.

- Eu sei, Lana, é que... eu não amar ninguém, isso não influencia em nada na minha vida.

- Pode apostar, Bri, você, algum dia vai sentir falta do amor.

Sorri.

- Quem sabe, Lana? Quem sabe algum dia eu não encontre alguém para quem eu realmente queira entregar meu coração.

- Esse dia vai chegar. E quando chegar eu estarei lá, na torcida por você.

O som de uma buzina de carro ecoou pelo meu quarto. Lana se levantou em um salto.

- O Jake chegou! – Falou ela alegremente, indo em direção a porta. Já estava quase saindo quando se virou para mim e sussurrou: - Ele vai chegar, eu sei que vai. Acredito nisso.

Me mandou um beijo e saiu.

Deitei na cama, cansada com aquela conversa exaustiva.

“Para que isso é bom afinal?” A frase que eu tinha dito há poucos minutos ecoava em minha mente. Quem sabe possa ser bom para algo, afinal?

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

New life!

Eu corria em velocidade máxima por aquela praia deserta iluminada somente pela lua, não me importava de minhas pernas implorarem por descanso, não me importava em meus músculos se contraírem em protesto pelo esforço. Tudo o que eu queria era fugir para o mais longe possível daquele lugar, o mais longe que eu pudesse dele.

Meu coração batia descompassado no peito, ferido, fechado, sangrando, morrendo.

Olhei pra trás uma vez. Não conseguia ver nada, a noite estava escura como breu, não conseguiria ver um palmo na minha frente nem se tentasse.

Será que ele estava vindo atrás de mim? Será que ele algum dia se importou com os meus sentimentos, pelo menos uma vez? Não, claro que não. Para ele eu não passei de uma brincadeira passageira. Ele brincou, foi divertido, mas perdeu a graça.

Não é o que sempre acontece? Amores se desgastam e acabam. Bom, foi amor pelo menos para mim, porque para ele eu sei que não foi. De jeito nenhum.

- Você é única pra mim, Julie. – Sussurrava Connor em meu ouvido fazendo uma corrente elétrica serpentear pelo meu corpo.

Como pude acreditar em mentiras tão mal contadas? Devia ter visto a mentira em seus olhos. Mas eu estava boba, encantada com ele, me deixei levar por suas mentiras de amor.

De repente senti uma dor incrível no meu pé esquerdo. Olhei para baixo e vi o que causará tamanha dor, eu tinha acabado de chutar uma pedra. Sentei-me no chão para avaliar o tamanho do estrago, meu pé estava completamente estragado. Não estragado de verdade, claro.

Sentei no chão e comecei a chorar, não por causa da dor em meu pé, isso era irrelevante. Comecei a chorar pelo meu amor não correspondido, pelo meu coração partido, por mim.

- Julie – Alguém gritava meu nome ao longe. Encolhi-me ao escutar. Será que era Connor procurando por mim, arrependido de todas as coisas que ele me disse?

Tirei aquilo de minha mente, não era Connor procurando por mim, e mesmo se fosse, depois de tudo o que ele me disse, não tinha o direito de me procurar, de estar arrependido.

A lembrança veio a mim como um furacão de emoções.

- O que você pensou? Que éramos fixos? – Ele gargalhou – Estava enganada garota, nunca fomos nada. Eu te peguei e pronto. Você é até gostosinha, mas não é boa o bastante pra mim. Se quiser que eu te pegue de novo tem que entrar na fila, meu bem. – Suas ultimas palavras foram repletas de sarcasmo.

Então foi assim que eu saí daquela festa e acabei assim, sozinha chorando para a lua.

- Julie, por favor apareça. - A voz agora estava mais perto e dava para reconhecê-la. Nathan, o meu Nathan, a única pessoa que nunca me abandonou na vida, meu melhor amigo.

Limpei as lagrimas que alagavam meu rosto na camisa branca.

- Aqui, Nate. – Gritei eu, impedindo a minha voz de tremer.

- Ah, Ju, Graças a Deus, você não sabe o quanto eu estava preocupado.

- Não precisa se preocupar, eu estou bem.

Seus olhos passaram por todo o meu corpo, analisando meu estado. E se detiveram no meu pé esfolado.

- Bem? Isso parece bem para você? – Perguntou ele.

- Pelo menos dá para andar – Revidei e tentei andar mostrá-lo que estava tudo bem, mas a dor que senti foi realmente insana. – Ai! – Reclamei.

- Não dá para andar coisa nenhuma – Disse ele se abaixando para me pegar no colo como se eu fosse um bebê.

- Deixa disso Nate, eu posso andar.

- A sua demonstração de que pode fazer isso foi incrível – Disse ironicamente.

Depois dessa eu tive que ficar calada. Então ficamos assim, ele e eu em um silencio constrangedor.

- Você sabe que aquele cara é um idiota completo, não sabe? – Disse ele, rompendo o silencio.

Eu ri, um riso cheio de dor e ironia.

- Eu sei, na verdade eu sempre soube, o duro é falar isso para o meu coração.

- É, eu sei. Mas você sabe que tem um monte de caras atrás de você.

Outra risada.

- Não mesmo, não tem ninguém atrás de mim.

- Tem sim.

- Me diga o nome de um só.

- Hm – Ele pensou. – Nathan Scott, serve? - Congelei, ele estava falando sério. – Olha, Ju, eu sei que você está magoada, e sei que esse não é o melhor momento para uma declaração de amor, mas eu quero que saiba que eu sempre fui apaixonado por você, desde pequeno.

Quando eu não disse nada, ele simplesmente colou seus lábios aos meus com certa delicadeza. Uma ultima lagrima escorregou pelo meus olhos, mas dessa vez não era lagrima de tristeza, nem de alegria, para falar a verdade eu não fazia ideia de qual emoção era aquela.

Eu só tinha uma certeza na vida agora: Alguém me amava, e esse alguém era meu melhor amigo, meu companheiro. Alguém que eu sempre amei também.

Nesse momento eu estava só um pouco atenta aos fogos brilhando acima de nós.

- Feliz ano novo. – Sussurrou ele em meu ouvido.

- Feliz vida nova. – Sussurrei de volta.

__________

Ciao amore mios! oi meus amores!

Só avisando que vou viajar pra Disney realizando meu sonho e vou passar uns dias fora, 15 para ser mais exata, e claro que não podia deixar vocês sem antes postar aqui né. Amo vocês.

Beijos brilhantes,

Ray.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Ps: Eu te amo.

Brincadeira de mau gosto. É só isso que explica o envelope destinado a Jane Simms, no caso a mim, de destinatário Stephen Simms. Mas isso é simplesmente impossível, Steph morreu faz um mês. Como alguém tem pode ser tão cruel e idiota para fazer isso comigo? Ninguém sabe que isso dói? Ninguém sabe que isso abre ainda mais a ferida que nem chegou perto de ser cicatrizada? Isso é mal, cruel, me mata por dentro e por fora.

Abri o envelope lilás (minha cor favorita) furiosamente, pensei em rasgar aquela carta sem ao menos lê-la primeiro, mas a curiosidade me atacou como um furacão. O que poderia ter escrito ali? E se tivesse mesmo sido o meu Steph que mandou? Se tivesse sido ele mesmo ali não poderia ter nada ruim, Stephen era uma das pessoas mais gentis e impressionantes que eu já conheci em toda a minha vida. Nunca seria capaz de machucar ninguém. Muito menos me machucar.

Comecei a ler:

Meu amor,

Eu ainda tinha esperanças de nunca ter que te mostrar essa carta, tinha esperanças que você nunca precisasse lê-la. Tinha esperanças de poder falar, tudo o que aqui está escrito, pessoalmente.

Dizia o primeiro parágrafo com a letra de Steph, não tinha como confundi-la, era uma letra garrafal levemente inclinada para a direita. Não restava duvidas agora. Foi ele que escreveu. Um nó se formou em minha garganta, lagrimas estavam prestes a desabar pelo meu rosto. Tratei de engolir a emoção e continuar a ler.

Sei que deve estar aborrecida comigo por não ter te contado da minha doença. Mas, por favor, me perdoe, eu não queria te preocupar, não queria te ver triste. A ultima coisa que eu queria ver enquanto vivesse era esse seu sorriso que me ilumina desde que eu comecei a viver, desde que eu te conheci, meu anjo. Eu sabia que se te contasse você não sorriria mais, ficaria preocupada pelos cantos e eu não quero isso, meu amor.

Eu ainda lembro do modo como a gente se conheceu, você se lembra Jan? Eu nunca pensei que fosse encontrar a mulher mais impressionante do mundo indo para o trabalho, no metrô. Você me conquistou a primeira vista. Eu te olhei e pensei “Essa é a mulher da minha vida” e só o tempo mostrou como eu não poderia estar mais certo, não é?

Você foi a garota mais difícil, não queria nada comigo, saiu do metrô, e eu sai atrás de você, fiquei insistindo até você aceitar um encontro comigo. Água mole em pedra dura tanto bate até que fura. Não é esse o ditado? Foi exatamente assim. Eu Lembro como você sorriu de lado com esses seus olhos verdes brilhando para mim e disse à palavra que eu queria ouvir: “Sim”.

Meu amor, eu me odeio por não estar contigo agora, eu me odeio por tudo o que te fiz passar. Mas você não sabe o quanto te amei em vida, e nem a morte poderá mudar isso. Eu sempre estarei ao seu lado, mesmo que você não possa ver, esteja onde estiver eu estarei vendo você. Sempre.

Você sabe que eu sempre fui um egoísta e como é isso o que eu sou queria que você pudesse vir comigo, mas por mais que eu seja egoísta meu amor por você é ainda maior, então eu vou para onde devo ir, seja o inferno ou o paraíso, se é que tudo isso existe. Bem, agora eu acho que vou descobrir.

Eu estou com medo como eu nunca estive antes Jan. Eu não sei para onde vou. Meu único conforto é que você continuará bem, continuará vivendo, respirando. Mas, meu amor, para onde quer que eu vá não será tão bom quanto quando eu estou com você. Esse é o meu verdadeiro paraíso.

Jan, você não sabe quais efeitos que causa em mim, como quando você sorri de lado como se estivesse se desculpando, aquele sorriso faz meu cérebro congelar os pensamentos e só pensar em como você é a mulher mais perfeita do mundo em como eu sou o cara mais sortudo do mundo ao te ter do meu lado, ou então quando você fica com vergonha, começa a corar, passa as mãos pelos cabelos e dá um pequeno sorriso, nesse momento você parece tão frágil que tudo o que eu quero é te aconchegar em meus braços e nunca mais largar a minha linda boneca de porcelana. "Eu te amo" não chega a descrever o que sinto por você. O que sinto é muito mais que simples palavras. Explode no meu coração, toma conta do meu corpo, da minha alma, de todo o meu ser. Eu fui feito para existir para você, meu amor, somente para você e ninguém mais.

Eu não quero que chore, não quero que se acabe no nosso apartamento, ia me deixar triste se fizesse isso. Eu sei que um dia nós iremos nos encontrar novamente. E tenha certeza que eu estarei esperando por você, minha alma gêmea.

Você fez de mim uma pessoa melhor, você fez de mim um ser que eu não pensei que existisse, meu anjo, você me salvou! Agora deixe eu te salvar, faça o que eu te disse, não morra aos poucos. Viva! Faça isso por mim.

Ps: Eu te amo.

Do cara que sempre estará te protegendo.

Stephen Simms.

Não pude impedir as lagrimas de caírem agora. Stephen. Meu Steph. Meu anjo. Eu farei o que me pediu, eu sempre faço, não é mesmo?

- Eu te amo e te amarei para sempre, meu amor – Sussurrei apertando a carta contra meu peito.


Oi meus lindos!

Como vocês viram, esse texto é baseado no filme Ps 'I love you'. Filme lindo que merece ser visto ok? Geeeente, eu vou dedicar esse texto a uma leitora do blog que me ajudou muito via formspring! Vou explicar: tinha uma garota no meu blog falando coisas horrendas de mim, falou até que eu pago vocês pra lerem o meu blog! :O E todos vocês sabem que não é verdade já que eu sou mais lisa que sabonete. E essa anjinha, veio no meu formspring pra me defender, mesmo não tendo nada haver com a história! Obrigada por isso, flor!

Beijos com amor,

Ray.

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Love and Hate

O amor é assim, te da o oxigênio para poder viver, mas também pode ser o veneno que lhe tira a vida. Eu acreditava ser um sortudo, um escolhido para viver o amor e contemplá-lo em toda sua gloria, mas, agora, vejo que estive me enganando esse tempo todo. Elizabeth me dera vida, mas também me tirara a mesma.

- Ora, ora, Kurt. Você devia ter percebido desde o começo. – Disse ela com um sorriso de deboche em seus lábios pintados de vermelho. – Agora vamos, deixe-me ir. Estamos em uma festa, vamos comemorar! – Ela levantou seus braços e já estava passando por mim, parecendo uma delicada e pequena bailarina.

Ah, não. Eu não iria deixá-la ir, não sem minha explicação.

Segurei seu braço com força, não me importando se iria machucá-la. Na verdade eu queria isso, queria que ela sofresse, queria ver o medo e o nervosismo em seu olhar. O amor se transformou em ódio.

Ela olhou para minha mão segurando seu braço e deu uma risada de escárnio.

- Ah, vamos Kurt! Ambos sabemos que você não é capaz de machucar nem uma mosca, imagina então machucar a mulher que você ama.

Apertei mais seu braço.

- Amava – Sussurrei eu. – Esse é o tempo para o que eu sentia por você. O Pretérito Imperfeito.

- Ok, Kurt, você já deixou seu recado, agora me solta! Você está me machucando mesmo! – Gritou ela contra mim. Ninguém iria escutá-la, a musica lá embaixo tocava o mais alto possível.

- Não, Elizabeth, o tempo em que eu fazia tudo o que você queria já passou. Eu agora não preciso de você. Não mais.

- Então o que você quer de mim, seu idiota? – Ela cuspiu as palavras para mim. – O que, diabos você quer de mim? Diga logo para que eu possa voltar para a festa onde é o meu lugar!

- Só quero saber o por quê. – Sussurrei.

- Porque você era necessário, agora não é mais. – Ela me encarou em toda sua arrogância. – E porque eu gostei de me divertir com você.

Minha mão se mexeu sozinha, indo em direção ao seu rosto de porcelana, com toda fúria que eu sentia dentro de mim.

Assim que minha mão atingiu seu rosto desejei não fazê-lo. Ela estava transformando o mocinho em bandido, ela estava se transformando em vitima. Elizabeth cambaleou para trás com o impacto de minha força contra seu delicado corpo. Assim que ela notou o que eu fiz, veio para cima de mim como um leopardo selvagem, pronto para matar e abocanhar a presa.

- Seu idiota, seu idiota – Repetia ela entre um tapa e outro. – Você quer saber a verdade? Então eu vou te dar a verdade. A verdade é que eu nunca te amei. Como amar um pequeno idiota como você, um garoto mimado que tem o que quer sempre na hora. E não um homem de verdade, um homem que realmente luta pelo que quer? Você é verdadeiramente o mais panaca que já conheci. Já enganei outros, mas você foi o mais fácil deles. Caiu de quatro por mim desde o primeiro momento. Como pode ser tão ridículo, garoto? Como pode ser tão burro a ponto de pensar que uma mulher pode gostar de você pelo que você é e não pelo que você tem. Você é o cara mais ridículo que já conheci!

Aquelas palavras foram para mim como um soco no estomago.

Não pude suportar. Apertei minhas mãos em torno de seu pescoço perfeitamente pálido. Não queria realmente enforcá-la. Minha mente gritava para eu parar, mas meus membros não me obedeciam.

Ela conseguiu agarrar um copo d’água e jogou-o em mim. Por esse instante de lucidez soltei minhas mãos de seu pescoço, deixando-a livre para fugir de mim. Do monstro que eu me tornei.

Ela já estava na porta quando Henry apareceu, bloqueando sua saída.

- Ah, graças a Deus você está aqui, Henry! – Disse Elizabeth, vestindo sua mascara de boa moça mais uma vez. – Ele... o Kurt enlouqueceu! Ele estava tentando me matar!

Henry virou para mim com cara de entediado.

- Cara, essa vadia ainda está aqui? Pensei que você já tinha se livrado dela.

- É difícil quando ela não para de falar. – Respondi.

- Vocês não podem estar juntos nessa. – Chorou Elizabeth.

Henry olhou para ela, entediado.

- Nada pessoal, gracinha. Mas você enganou o meu irmãozinho. E ninguém engana um Howard. Ninguém.

- Vocês são uns estúpidos. – Disse ela jogando todo o seu peso contra Henry. – Deixem-me passar. Senão...
- Senão o que? – Henry quis saber. – Vai fazer o que, gracinha?

- Senão eu grito.

- Ah, por favor, sabemos que você não é burra, e você sabe que ninguém vai te escutar com essa musica lá embaixo. - Disse Henry.

Ele tinha razão, ninguém escutaria.

Ela correu em direção a janela e tentou abri-la, mas nada aconteceu.

Henry virou para mim.

- Bem, eu meio que sabia que você não ia conseguir sozinho. Então te trouxe isso. – Ele tirou de seu sobretudo uma grande estaca de madeira. – Peguei a primeira coisa pontiaguda que vi na minha frente, então não me culpe por ser um pouco épico. – Ele riu da própria piada e jogou a estaca para mim.

Segurei-a no ar e fui em direção a Elizabeth.

- Por favor! – Implorou ela. – Por favor, Kurt, não faça isso comigo!

Hesitei, mas Henry não.

- Nada de por favor agora, gata. Você mesma pediu por isso.

Virei para olhar para Henry, ele viu a confusão em meus olhos. Tirou a estaca de minhas mãos e sussurrou:

- Devia saber que você não é homem o bastante para isso.

Ele estava pronto para enfiar a estaca nela. Mas eu não podia deixar que isso acontecesse. Eu queria que o ultimo rosto que Elizabeth visse fosse o meu.

Segurei a mão de Henry enquanto ele se preparava para enfiar a estaca em Elizabeth sem dó nem piedade.

- Deixe que eu faço. Eu vou conseguir.

Ele me entregou a estaca e trocamos de lugar, agora eu estava em frente dela e ele estava ao meu lado, dando-me apoio.

- Então faça! – Gritou ela. - Vamos logo, já que você está com tanta vontade. Sei que não vai conseguir. Você não passa de um menino tentando ser homem.

Fúria inflou meus sentidos, então sem pensar eu fiz. Enfiei a estaca em qualquer parte de seu corpo o máximo que pude.

Pude ouvir o baque de seu corpo sem vida caindo no chão.

- Pronto, mano. Agora você provou que é mesmo um homem. – Parabenizou-me Henry, dando-me um tapinha no ombro. – agora pode deixar que eu me livro dela pra você.

Henry saiu carregando Elizabeth nos braços.

Sentei-me na poltrona mais próxima, cansado de repente.

O amor fez de mim um idiota, mas também me transformou em um monstro.

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Hell-o friends.

Só avisando que esse conto foi baseado na imagem, e achei muito clichê se ela sobrevivesse. E não, eu não vou escrever tragédias sempre. Eu ainda tenho muitos romances escritos. Não me abandonem, amo vocês.

Besos,

Ray.

(1º lugar da 46ª edição visual - Projeto Bloínquês)

domingo, 14 de novembro de 2010

Suicídio de Palavras

As emoções acabaram, as mentes se separaram e agora seguiam caminhos diferentes, as palavras cessaram em um silencio mortífero, não tinham mais nada em comum além do passado, o feliz passado quando não passavam de dois adolescentes apaixonados, feitos um para o outro, felizes para sempre. Até aquele momento. Agora eram duas mentes confusas, estranhando a novidade de não ter alguém para chamar de seu. Passaram tanto tempo juntos que agora não se identificavam com a nova vida, mas ainda assim não se identificavam mais, a alma do outro que outrora fora tão conhecida, agora não passava de um breve desconhecido. Viam-se e não tinham como falar, suas bocas não se abriam, não havia dor ali, não havia sentimento, tudo não passava de um imenso vazio. Um suicídio de palavras.